Engenheiros, arquitetos, decoradores e estudantes destas três áreas lotaram, nesta quinta-feira (20), o auditório B do Centro Sul para a palestra Tecnologia em Vidros e Lançamentos, na qual foram abordados os temas Etiquetagem de eficiência enérgica em edificações comerciais e Mostra dos últimos lançamentos em vidros especiais e decoração. O evento foi promovido pela Associação Catarinense das Empresas Vidreiras (Ascevi).
“Na Europa, o que mais se discute são as novas maneiras para utilização de vidros em fachadas e eficiência energética”, disse Marcela Calabre, promotora técnica da multinacional Saint-Gobain Glass, que no Brasil adquiriu a Vidraria Santa Marina (SP). Segundo ela, é natural que os profissionais voltem suas atenções para aquele continente, pois foi na França, em 1665, durante o reinado de Luiz XIV, que surgiu a primeira fábrica de vidro para construir o Palácio de Versalhes, que tem ao todo duas mil janelas e a Galeria dos Espelhos, uma sala de 73 metros de comprimento, 12.30 metros de altura e é iluminada por 17 janelas que têm a sua frente espelhos que refletem a vista dos jardins.
A técnica da Saint-Gobain também lembrou que atualmente a pauta mundial é a questão da sustentabilidade, a utilização de novas fontes renováveis de energia. Nesse sentido, Marcela apresentou a gama de vidros impressos que colaboram com o consumo inteligente de energia. “ Vidros que geram conforto acústico e térmico, aliados a estética, já são uma realidade hoje, onde a nova tendência é usar vidros que gerem energia e não somente economizar”, disse Marcela.
A arquiteta e gestora da União Brasileira de Vidros (UBV-VidroDesign), Caroline Sanchez, destacou a principal qualidade do vidro, a sua capacidade total de reciclagem, que é de 100%. Segundo ela, a UBV usa de 30% a 50% de caco de vidro como matéria prima. Na reciclagem, 10% de cacos representa um ganho energético de 4% e a redução de 5% na emissão de CO2 (Protocolo de Kyoto). Uma tonelada de cacos de vidros significa a economia de 1,2 toneladas de matérias primas. Outro ponto abordado por Caroline foi o custo da utilização do vidro numa obra. Conforme ela, em uma casa médio padrão de 3% a 5%, “isso quando se emprega muito vidro”, afirmou a arquiteta. Em um banheiro médio padrão, 9%.
Transparência e conforto térmico foram os benefícios do Eco Lite, produto 100% nacional, vidro de controle solar com baixa reflexão, produzido pela Cebrace. A empresa, maior da América Latina, projetou as aplicações possíveis já em uso na Europa, que agora começa a despertar no mercado nacional. O Eco Lite reduz em 52% a passagem de calor para o ambiente interno, minimizando o uso de ar condicionado. Também tem transmissão luminosa acima de 50%. A Cebrace apresentou, ainda, seus mais dois recentes lançamentos no Brasil, os vidros de controle solar KNT e SKN, que têm como características mais luz com menos calor. De acordo com a Cebrace, os vidros Eco Lite SKN e Eco Lite KNT já estão presentes nas maiores obras do mundo.
A arquiteta Rosângela Grisa, responsável pelo projeto do Hospital da LBV, em Palhoça, além de assistir a palestra, aproveitou para visitar a Feira. A profissional além de estudar arquitetura em Milão (Itália), também exerceu sua profissão naquele país durante 10 anos. “Felizmente os profissionais brasileiros estão despertando para a questão da etiquetagem de eficiência energética em edificações comerciais. O uso de vidros será fundamental no futuro em questão de energia”, afirmou Rosângela, que apresentou ao presidente da ASCEVI, Marcio Moreira de Souza, e ao presidente do Sinduscon, Hélio Bairros, o projeto hospitalar. “O hospital de Palhoça será um dos exemplos no mundo em sustentabilidade e também acessibilidade, onde busco obter a certificação internacional na etiquetagem energética”, afirmou a arquiteta.